quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A terra devastada

todo dia é dia de olhar pela janela.
cedo levanto, mirando a construção defronte
com colunas que se erguem para o céu
o desprezo da terra lhes insufla o desejo
de ambições mais elevadas.
O concreto e o ferro são mais fortes
as árvores consentem, porém
caladas continuam seu caminho telúrico, 
repetindo sempre
"Cada dia é um novo começo"
toda noite se perdem as esperanças
todo dia brota verde ao som do martelo
 toda noite os pássaros voltam aos ninhos
sem asas, sem plumas, sem bico
a cada dia a terra parece um misto de alegria e devastação
dia e noite convalesço tristeza e sonhos de imensidão
amplos espaços me diminuem e procuro refúgio
no pequeno armário onde guardo rascunhos e 
rendas de bilro tecidas sem pique nem alfinete.
só aqui vejo estrelas, só aqui me convenço
de que a terra devastada
é meu puro delírio de libertação.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Formas noturnas, fotos geradas na sombra


Algumas imagens surgem com mais nitidez quando a luz diurna se esvai, os passos do trabalho se recolhem e o pensamento dá lugar ao sonho... Parece mesmo que existe alguma coincidência, ao menos no imaginário coletivo, entre o que ocorre nas ruas à noite e a inversão que o sono impõe a nossa consciência desperta. "É perigoso dormir, mais perigoso deixar de fazê-lo". À noite, trafegam os que têm medo do cidadão honesto, e esse tem medo daqueles que trafegam durante a noite.

Noctíferas-Noturnas surge dessa constatação e evoca todos os espíritos que navegam sem rumo enquanto se recolhem as almas que sonham. A performance registrada como fotografia une o universo anímico mais difuso ao mundo onírico, cheio de imagens e formas. Em 2006, a busca se concentrou na região central de Florianópolis. Em 2009, seguiu para outras praças, sem esquecer o potencial do ponto de partida. Assim, vamos recolhendo material e surpreendendo vida onde a Cidade insiste dizer que não existe.