todo dia é dia de olhar pela janela.
cedo levanto, mirando a construção defronte
com colunas que se erguem para o céu
o desprezo da terra lhes insufla o desejo
de ambições mais elevadas.
O concreto e o ferro são mais fortes
as árvores consentem, porém
caladas continuam seu caminho telúrico,
repetindo sempre
"Cada dia é um novo começo"
toda noite se perdem as esperanças
todo dia brota verde ao som do martelo
toda noite os pássaros voltam aos ninhos
sem asas, sem plumas, sem bico
a cada dia a terra parece um misto de alegria e devastação
dia e noite convalesço tristeza e sonhos de imensidão
amplos espaços me diminuem e procuro refúgio
no pequeno armário onde guardo rascunhos e
rendas de bilro tecidas sem pique nem alfinete.
só aqui vejo estrelas, só aqui me convenço
de que a terra devastada
é meu puro delírio de libertação.







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